Arquivo da categoria: Palestras e comunicações

Palestras, comunicações em eventos (não publicadas em anais), intervenções em debates.

Seminário “Da ciência aberta à ciência comum: por um outro desenvolvimento”

Participei como debatedor no seminário “Da ciência aberta à ciência comum: por um outro desenvolvimento” (6/4/2017, Rio de Janeiro), na sessão em que foram apresentados resultados do projeto Ciência Aberta Ubatuba. A minha fala foi sobre o risco que existe, em iniciativas de ciência aberta, de que uma abertura apenas formal reproduza (ou até reforce) desigualdades sociais subjacentes; e sobre a importância de nos perguntarmos: “ciência colaborativa com quem?”; “ciência aberta para quem?”.

Os vídeos completos também estão disponíveis: apresentações e debate da manhã, apresentações da tarde, debates da tarde.

Uma correção e um esclarecimento à minha fala. A correção: falei em “capital simbólico” (7:45) por confusão; como deve dar pra imaginar pelo contexto, ali eu não estava pensando no conceito usado pelo Bourdieu, mas nas técnicas e conhecimentos necessários para fazer uso de dados abertos. E o esclarecimento: ao dizer que a participação feminina no software livre é ruim, o que eu quis dizer é que os percentuais de mulheres entre os participantes são muito baixos (e não, evidentemente, que a qualidade dessa participação não é boa).

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“Prova didática: Fundamentos de Informática na Educação” [plano de aula]

VIEIRA, Miguel Said. “Prova didática: Fundamentos de Informática na Educação” [plano de aula]. São Paulo: 2016. Disponível em: <https://impropriedades.files.wordpress.com/2016/07/vieira_didatica_slides.pdf>.

Slides / plano de aula utilizados na prova didática do concurso 175/2015, por meio do qual ingressei na UFABC.

Resumo

Plano de aula sobre fundamentos de informática na educação. A aula explora o tema da codeterminação histórica das TICs, a partir de dois exemplos: as contribuições de Alan Turing, e o histórico da criação da Internet. Aborda ainda a noção de affordance, relacionando-a à plasticidade das TICs, e discute sua importância no contexto educacional.

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Tensões entre os direitos autorais e os direitos à cultura e à educação

Esta semana fiz uma apresentação em uma disciplina do curso de Educomunicação na ECA-USP, sobre um tema que tem acompanhado minha pesquisa desde o seu início: as tensões entre os direitos autorais e os direitos à cultura, à educação e à informação.

A apresentação (também em formato odp, editável) relaciona essas tensões às principais teorias que existem para justificar os direitos autorais (o jusnaturalismo e o utilitarismo), exemplifica quatro casos objetivos em que elas se manifestam (reprografia, livros didáticos, livros universitários e periódicos científicos), e menciona algumas alternativas.

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“Commoning Infrastructures, Infrastructural Commoning” [palestra]

VIEIRA, Miguel Said. “Commoning Infrastructures, Infrastructural Commoning“. Palestra na conferência Economics and the Common(s). Berlim, 2013. Disponível em: <http://ssrn.com/abstract=2620849>.

Em inglês. Palestra principal (keynote) da trilha Infraestrutura, da Economics and the Common(s) Conference. (As anotações dos slides, incluídas ao final do arquivo PDF, equivalem a uma transcrição da minha fala.) Clique aqui para formato ODF.

A gravação da palestra também está disponível (para download e streaming).

Inicialmente, participei da concepção dessa conferência como animador da trilha de Infraestrutura, mas durante o processo fui convidado pelos organizadores para também apresentar seu keynote. O título original era “New Infrastructures for Commoning by Design”; troquei-o após considerar que é uma abstração um pouco perigosa falar em bens comuns “por design“: sugere que é possível garantir bens comuns a priori, a partir de uma espécie de engenharia conceitual, realizável sem levar em conta as práticas, contextos e conflitos efetivos desses bens comuns.

Curiosamente, esse tema surgiu posteriormente no evento, num debate sobre a noção de commoneer — corruptela de commons e engineer [engenheiro], e propositalmente similar ao termo commoner, este utilizado tradicionalmente para referir-se aos membros de um bem comum (e também ao plebeu, em oposição ao membro da nobreza). Commoneer fora sugerido como um termo para descrever as pessoas que se esforçam em esmiuçar e sistematizar questões ligadas a bens comuns. Embora eu enxergue a boa intenção dessa proposta, penso que ela instaura uma hierarquização desnecessária entre os membros de um bem comum.

Abstract

This keynote is about designing infrastructures that favor commoning instead of commodity-production. It argues that due to their social character, infrastructures can be akin to commons; but that they are generally designed in ways that favor commodity production, and that foster individualistic, environmentally destructive behavior. It then discusses two correlated challenges: how communities can appropriate themselves of existing state-provided infrastructures, and how can we expand commons and turn them into infrastructures. Finally, it presents some emerging examples of alternative approaches to infrastructures that might be more commons-enabling, and highlights the tensions and contradictions involved in them.

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“Intellectual Commons, Commodification and Open Business Models” (Bens comuns intelectuais, mercantilização e modelos de negócio abertos) [comunicação em evento]

VIEIRA, Miguel Said. “Intellectual Commons, Commodification and Open Business Models“. RLC Fall Academy on the Economies of the Commons. Bonn: 2012. Disponível em: <http://ssrn.com/abstract=2620430>.

Em inglês. Comunicação (resumo de minha pesquisa de doutorado) apresentada na Fall Academy 2012 do Right Livelihood College, que teve o tema “Economies of the Commons”. O arquivo contém os slides de uma apresentação resumindo minha pesquisa de doutorado; clique aqui para formato ODF.

O Right Livelihood College (RLC) é um braço da Right Livelihood Award Foundation, conhecida como um “Prêmio Nobel alternativo”. A Fall Academy, por sua vez, é uma oficina organizada pelo RLC com um grupo de doutorandos selecionados; além de apresentarem e debaterem suas pesquisas, os participantes interagem com laureados do Right Livelihood Award. (Entre os premiados até hoje estão grandes figuras como Pat Mooney, Mordechai Vanunu, o MST, Vandana Shiva, Chico Whitaker, Percy & Louise Schmeiser, Rachel & Uri Avnery, Daniel Ellsberg e Edward Snowden.)

Na edição de 2012, éramos 11 pesquisadorOs 11 doutorandos (eu estou no fundo à esquerda, de camiseta azul), os estudantes da Universidade Alanus, e Sulak Sivaraksa (à esquerda, de bengala).es da África, Ásia e América Latina (além dos estudantes da Universidade Alanus, que co-organizou o evento), e os laureados participantes foram Sulak Sivaraksa (Tailândia) and Helena Norberg-Hodge (Austrália). Foi interessante ver como, mesmo entre pesquisadores de países pobres como os nossos, o tema de bens comuns é tratado de forma bastante variada: das abordagens mais engajadas e críticas (enfocando resistência popular e questões de gênero, por exemplo), às que defendiam a mercantilização dos recursos compartilhados (por meio dos chamados serviços ambientais).

Segue o resumo submetido na seleção para o evento, e que também sintetiza a apresentação que fiz lá.

Ph.D. research abstract

This research project analyses the possible relations between intellectual commons and commodification, attempting to determine if they are incompatible and whether commodification can arise in or from within a commons. Also, on a more practical level, it assesses how emerging business models affect that possibility.

It explores Elinor Ostrom’s institutionalist approach to commons theory, evaluating its merits (for instance, the empirical refutation of Hardin’s “tragedy of the commons”), as well as limitations (reliance on methodological individualism and absence of more systemic considerations) that can lead to blind spots. This approach is confronted with others, such as those found in works by Hardt & Negri and Peter Linebaugh; while not as systematic and easy to operationalize as Ostrom’s approach, they appear to address some of its limitations. The challenges in the application of these theories to intellectual goods are considered: the research proposes a dialectical reading of the economic concept of rivalry (as opposed to an essentialist reading, frequent in “techno-utopian” approaches), suggesting that intellectual goods always depend to some extent on material goods, and vice-versa.

The concept of commodification is borrowed from Polanyi and Marx: a commodity is something produced mostly in order to satisfy a market system (and therefore, a profit imperative); this is contrasted with production in a commons, geared to satisfying a community’s needs. The 20th century saw a sharp rise in the commodification of intellectual goods (aided by the worldwide stiffening of intellectual property laws); but the same technologies that made it so profitable to reproduce and disseminate such commodities also made it easier to share them in commons. The research argues that this curtails direct commodification; but that in some of the new, “open” business models that help sustain these commons (such as those based in advertising), commodification can mutate and reappear in unexpected forms.

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Apresentação no “Seminário das Quartas”

[Atualização: deixo aqui as notas esquemáticas da apresentação: em formato PDF ou ODT.]

Farei uma apresentação no “Seminário das Quartas”, organizado pelo Paulo Arantes. Será sobre o tema da minha pesquisa (bens comuns intelectuais e mercantilização); nesta quarta-feira, 30/3/11, na USP, prédio de Filosofia e Ciências Sociais, sala 103, às 19h30.

O seminário é aberto a todos. Segue abaixo um parágrafo sobre o tema, mais algumas indicações de textos:

A apresentação será sobre o tema da minha pesquisa de doutorado (que começou como mestrado, e recentemente virou doutorado direto): bens comuns intelectuais e mercantilização. Uma definição concisa possível para bens comuns é a seguinte: o compartilhamento de coisas por uma comunidade. Em minha pesquisa, parto de uma análise crítica da principal vertente de estudo sobre bens comuns, a neoinstitucional, que tem como figura chave Elinor Ostrom; e da aplicação da ideia de bens comuns a coisas imateriais (como bens culturais, software etc.). Discuto também de que maneira o conceito de bens comuns pode se opor à mercantilização, e como essa oposição pode ser mais ou menos significativa de acordo com a perspectiva teórica adotada. A parte final da pesquisa, que ainda está menos desenvolvida, é a análise dos “novos modelos de negócio” envolvendo bens imateriais que têm sido propostos recentemente (como a publicidade, o branding e a venda de serviços). Essa análise visa identificar até que ponto esses “novos modelos de negócio” podem implicar o surgimento da mercantilização no interior dos próprios bens comuns.

Seguem alguns textos que podem servir de subsídio para a apresentação. Tentei selecionar textos curtos que apresentem diferentes perspectivas sobre o tema — minhas desculpas antecipadas por alguns deles não serem em português.

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“Biens communs globales, biens communs de la connaissance et solidarité internationale” [intervenção em debate]

VIEIRA, Miguel Said. “Biens communs globales, biens communs de la connaissance et solidarité internationale” [Bens comuns globais, bens comuns do conhecimento e solidariedade internacional]. Université d’été de la solidarité internationale, 2010, Pessac. Disponível em <http://ssrn.com/abstract=2592732>.

Em francês. [Versão revisada; agradeço a Frédéric Sultan, que fez leitura atenta e diversas sugestões.]

Intervenção realizada, a convite, no ateliê sobre “Bens comuns do conhecimento” (organizado por Vecam, Petits Débrouillards, ATTAC França, Creative Commons França e Survie), durante a Université d’Été de la Solidarité Internationale, edição de 2010. Clique aqui para formato ODF.

Resumo

Compara bens comuns baseados em bens materiais, de alcance local, e bens comuns do conhecimento, transnacionais — como o software livre e, em certo sentido, a internet; e discute se é mais fácil gerir bens comuns do conhecimento como bens comuns de acesso aberto, e de que maneira a escala afeta essa avaliação. Argumenta que é possível avançarmos rumo a bens comuns do conhecimento globais e de acesso aberto (embora algum grau de “cerceamento” seja útil para manter um bem comum); e que o principal obstáculo a isso permanece sendo a desigualdade socioeconômica. Propõe que os movimentos de solidariedade internacional visem a expansão das comunidades potenciais de bens comuns do conhecimento existentes.

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