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Cryptorave 2019: “Não aceite cookies de estranhos” [oficina]

Na Cryptorave de 2019, ministrei uma oficina intitulada “Não aceite cookies de estranhos: Limitando a vigilância mercantil e a publicidade na navegação cotidiana”. Confira a descrição no site do evento:

Veja como tem empresas vigiando sua navegação (pra vender seus dados e te entupir de publicidade), e experimente uma ferramenta capaz de reduzir essa bisbilhotagem — e que, de brinde, ainda filtra anúncios.

A oficina foi composta de uma explicação (muito simplificada) do funcionamento da vigilância corporativa na internet hoje, e da demonstração do uBlock Origin, uma extensão de navegador para bloqueio de conteúdos indesejados extremamente customizável. Veja os slides da apresentação (com anotações ao final).

Curiosidade: a oficina quase não rolou em função do “armagadd-on 2.0”, um bug que afetou o Firefox menos de 24 horas antes do horário da atividade, bloqueando o uso de todas as extensões; não foi possível demonstrar o Firefox Lightbeam (outra ferramenta que eu apresentaria no começo da oficina), mas o uBlock Origin sim — ele possui versão para navegador Chromium que funciona de maneira muito similar à do Firefox.

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“A máquina de exploração mercantil da privacidade e suas conexões sociais” [artigo em congresso]

VIEIRA, Miguel Said & EVANGELISTA, Rafael. “A máquina de exploração mercantil da privacidade e suas conexões sociais”. Anais do III Simpósio Internacional LAVITS. Rio de Janeiro, 2015. Disponível em: <http://ssrn.com/abstract=2608251>.

Artigo em coautoria com o Rafael Evangelista (pesquisador do Labjor / Unicamp), apresentado no III LAVITS, simpósio internacional sobre vigilância. (Também disponível em formato ODT, editável.) Traz algumas ideias sobre vigilância corporativa que eu e o Rafael temos discutido desde as revelações do Snowden.

Resumo

Este trabalho argumenta que as revelações de Snowden acabaram por centrar o foco da opinião pública na vigilância de tipo estatal, deixando (injustificadamente) em segundo plano a vigilância mercantil. Ela é tão ou mais frequente que a estatal, principalmente pela ascensão dos modelos de negócio baseados na publicidade comportamental. Embora haja semelhanças entre os dois tipos de vigilância, eles são orientados por lógicas distintas, que requerem critérios éticos distintos para sua problematização. O trabalho reflete sobre as contribuições de Haggerty & Ericson, Fuchs e Palmås em relação à temática, sobretudo na crítica da noção de prosumption, e na passagem de um paradigma simplificado do controle individual rumo a concepções mais sofisticadas, como a da “assemblagem da vigilância”. Analisa o caráter menos individualizado da vigilância mercantil (em contraste com a estatal), e as consequências sistêmicas que dele decorrem: a frustração neurotizada dos desejos de consumo, e o desequilíbrio de poder pelo acesso a grandes quantidades de dados pessoais. Conclui propondo que, para analisar adequadamente a vigilância mercantil, é necessário construir uma concepção de privacidade social (e não apenas individual).

Abstract

This paper argues that Snowden’s revelations ended up by focusing public opinion on state surveillance, sending mercantile surveillance (unjustifiably) to the background. Mercantile surveillance is at least as frequent as state surveillance, particularly because of the ascension of business models based on behavioral advertising. Although there are similarities between those two types of surveillance, they are driven by different logics, that require different criteria for their critique. The paper reflects about Haggerty & Ericson, Fuchs and Palmås’ contributions to this subject, specially in the critique of the notion of prosumption, and in the shift from a simplified paradigm of individual control towards more sophisticated conceptions, such as the “surveillant assemblage”. It analyses the less individualized character of mercantile surveillance (contrasted with state surveillance), and the systemic consequences that flow from it: the neurotic frustration of consumption desires, and the power imbalance caused by the access to large quantities of personal data. It concludes proposing that, in order to adequately analyse mercantile surveillance, it is necessary to build a social (and not only individual) notion of privacy.

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