Virei professor na UFABC!

sigla-abaixo-rgbEm maio de 2016 obtive uma conquista que me deixou muito feliz: passei num concurso para professor na UFABC; tomei posse em junho, e já estou dando aula. A vaga é um pouco diferente do usual: dividirei minha dedicação entre o curso de Políticas Públicas e o Núcleo de Tecnologias Educacionais (NTE), que cuida de educação a distância na universidade.

A minha alocação a um curso específico não tem, também, o mesmo sentido que teria comumente numa universidade pública: ao ingressar na UFABC, todo professor já é automaticamente credenciado para lecionar em mais um curso (no meu caso, o BC&H, Bacharelado em Ciências & Humanidades), e ainda pode se credenciar em outros.

Essa abertura está relacionada ao caráter fortemente interdisciplinar da UFABC, que a torna um tanto singular no panorama nacional — e que, felizmente, faz com que eu me sinta… em casa. Embora eu nunca tenha planejado de forma ativa uma “carreira interdisciplinar”, o fato é que, tendo passado pelas áreas de Comunicação, Filosofia (graduações), Propriedade Intelectual (especialização) e Educação (doutorado, em que estudei autores da ciência política, economia…), eu sempre me senti um pouco deslocado nos departamentos universitários típicos, disciplinares. O NTE reforça essa minha sensação de “estar em casa”: o núcleo conta com gente especializada em áreas como linguagem audiovisual, interação humano-computador, design instrucional (e até uma professora que é egressa da Editoração, como eu — coisa rara!).

Estou muito contente também por ter conseguido entrar em uma universidade pública “só” dois anos após terminar o doutorado; no concurso, o meu currículo não me favorecia (principalmente na experiência didática), mas consegui compensar nas provas de projeto de pesquisa e de apresentação de aula. Nestes tempos bicudos, de incertezas em relação às políticas públicas para educação, ingressar já numa universidade pública — e numa bem legal, ainda por cima — foi um alívio.

Quem quiser me visitar por lá (fico mais em Santo André — no próprio NTE, ou na minha sala), entre em contato: será um prazer.

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“Prova didática: Fundamentos de Informática na Educação” [plano de aula]

VIEIRA, Miguel Said. “Prova didática: Fundamentos de Informática na Educação” [plano de aula]. São Paulo: 2016. Disponível em: <https://impropriedades.files.wordpress.com/2016/07/vieira_didatica_slides.pdf>.

Slides / plano de aula utilizados na prova didática do concurso 175/2015, por meio do qual ingressei na UFABC.

Resumo

Plano de aula sobre fundamentos de informática na educação. A aula explora o tema da codeterminação histórica das TICs, a partir de dois exemplos: as contribuições de Alan Turing, e o histórico da criação da Internet. Aborda ainda a noção de affordance, relacionando-a à plasticidade das TICs, e discute sua importância no contexto educacional.

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“O uso de software livre no contexto dos recursos educacionais abertos: impactos sobre eficácia e eficiência” [projeto de pesquisa]

VIEIRA, Miguel Said. “O uso de software livre no contexto dos recursos educacionais abertos: impactos sobre eficácia e eficiência” [projeto de pesquisa]. São Paulo: 2016. Disponível em: <http://nbn-resolving.de/urn:nbn:de:0168-ssoar-46927-1>.

Projeto de pesquisa apresentado como requisito do concurso 175/2015, por meio do qual ingressei na UFABC.

Resumo

A pesquisa examinará o impacto que o uso de software livre pode trazer sobre a eficácia e eficiência de recursos educacionais abertos (REA). A primeira hipótese de trabalho é que o uso associado de SL afeta positivamente essas variáveis; a segunda hipótese é que esse impacto (e particularmente sua relação custo-benefício para os atores envolvidos) variará significativamente de acordo com o tipo de atividade ou iniciativa relacionada a REA: criação, organização, disseminação e utilização de REA. A pesquisa consistirá em uma análise teórica sobre as relações entre software livre e REA, e no levantamento e análise de dados empíricos sobre softwares e iniciativas de REA em cada uma dessas quatro categorias. A pesquisa buscará ainda identificar outros fatores que afetem essas variáveis (como o envolvimento da comunidade, a adequação dos materiais para a realidade local, a existência de suporte institucional etc.), de forma a contribuir para a formulação de políticas públicas e de estrategias educacionais ligadas a REA.

Abstract

The research will examine the impact that the use of free software can have over the efficacy and efficiency of open educational resources (OER). The first working hypothesis is that the associated use of free software positively affects those variables; the second hypothesis is that this impact (and particularly its cost-effectiveness to the involved actors) will vary significantly according to the type of OER-related activity or initiative: creation, organization, dissemination and use of OER. The research will consist on a theoretical analysis of the relations between free software and OER, and on a survey and analysis of empirical data on OER-related software and initiatives in each of those four categories. The research will also attempt to identify other factors affecting those variables (such as community engagement, adequacy of the materials with regard to local reality, institutional support etc.), to contribute to OER-related policy-making and development of implementation strategies.

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“Crowdfunding: financiando o bem comum” [artigo em periódico]

VIEIRA, Miguel Said. “Crowdfunding: financiando o bem comum”. Com Ciência, n. 174 (2015). Disponível em: <http://ssrn.com/abstract=2702097>.

Artigo publicado no dossiê sobre crowdfunding da revista Com Ciência, do Labjor / Unicamp; adaptado de uma seção de minha tese de doutorado.

Resumo

Adaptado de um trecho de minha tese de doutorado, este artigo discute alguns dos riscos envolvidos na estratégia de financiamento coletivo conhecida como crowdfunding, e defende que, com algumas ressalvas, ela tem ótimo potencial para fomentar a produção de cultura de forma desmercantilizada e como um bem comum.

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“Bens comuns: uma análise linguística e terminológica” [artigo em periódico]

VIEIRA, Miguel Said. “Bens comuns: uma análise linguística e terminológica”. MATLIT, v. 3, n. 1 (2015). Disponível em: <http://ssrn.com/abstract=2683576>.

Artigo publicado no periódico MATLIT, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Baseia-se numa comunicação de mesmo nome, apresentada no ActaMedia XI (Simpósio Internacional de Artemídia e Cultura Digital), em 2014.

(Uma curiosidade: embora esta versão publicada no periódico tenha sido revisada e aprimorada, a comunicação no ActaMedia contém uma discussão sobre a etimologia do termo “baldio” que eu considero bastante interessante, mas que, curiosamente, os revisores recomendaram que fosse omitida.)

Resumo

A ampliação das práticas de compartilhamento de artefatos culturais possibilitada pela digitalização e pelas redes tem levado pesquisadores a aplicar a noção de commons (ou “bens comuns”) ao domínio dos bens intelectuais — em casos como o software livre, a Wikipédia e a publicação científica em acesso aberto, por exemplo. Este artigo aborda questões linguísticas e terminológicas que envolvem esse conceito e suas traduções (em particular para o português): analisa algumas confusões frequentes em relação ao conceito, como a mistura das acepções jurídicas, econômicas e teológicas da expressão “bem comum”; apresenta diversas expressões usadas para nomeá-lo em outras línguas; e discute os méritos e desvantagens de algumas das opções existentes em português — principalmente da opção “bens comuns”.

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“A máquina de exploração mercantil da privacidade e suas conexões sociais” [artigo em congresso]

VIEIRA, Miguel Said & EVANGELISTA, Rafael. “A máquina de exploração mercantil da privacidade e suas conexões sociais”. Anais do III Simpósio Internacional LAVITS. Rio de Janeiro, 2015. Disponível em: <http://ssrn.com/abstract=2608251>.

Artigo em coautoria com o Rafael Evangelista (pesquisador do Labjor / Unicamp), apresentado no III LAVITS, simpósio internacional sobre vigilância. (Também disponível em formato ODT, editável.) Traz algumas ideias sobre vigilância corporativa que eu e o Rafael temos discutido desde as revelações do Snowden.

Resumo

Este trabalho argumenta que as revelações de Snowden acabaram por centrar o foco da opinião pública na vigilância de tipo estatal, deixando (injustificadamente) em segundo plano a vigilância mercantil. Ela é tão ou mais frequente que a estatal, principalmente pela ascensão dos modelos de negócio baseados na publicidade comportamental. Embora haja semelhanças entre os dois tipos de vigilância, eles são orientados por lógicas distintas, que requerem critérios éticos distintos para sua problematização. O trabalho reflete sobre as contribuições de Haggerty & Ericson, Fuchs e Palmås em relação à temática, sobretudo na crítica da noção de prosumption, e na passagem de um paradigma simplificado do controle individual rumo a concepções mais sofisticadas, como a da “assemblagem da vigilância”. Analisa o caráter menos individualizado da vigilância mercantil (em contraste com a estatal), e as consequências sistêmicas que dele decorrem: a frustração neurotizada dos desejos de consumo, e o desequilíbrio de poder pelo acesso a grandes quantidades de dados pessoais. Conclui propondo que, para analisar adequadamente a vigilância mercantil, é necessário construir uma concepção de privacidade social (e não apenas individual).

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Menção honrosa no Nascente 2014

1690252_584577338301062_1394335338_n-300x300Semana passada tive uma notícia bacana: recebi menção honrosa com as poesias que inscrevi no concurso Nascente. (Para não fugir tanto da temática do blog, publico-as aqui sob a mesma licença do site, CC BY-NC-SA; é um prazer compartilhá-las.)

O Programa Nascente é o principal concurso artístico da USP; nessa 22a. edição, recebeu 644 inscrições, e por volta de 400 delas na área de Texto. Embora a área conceda um único prêmio (neste ano foram excepcionalmente dois premiados), as inscrições nela se dividiam em seis categorias: biografia, crônica, ficção, reportagem, dramaturgia e poesia. Parabéns aos finalistas e premiados: vi os trabalhos de alguns concorrentes nas áreas de Design, Artes Visuais, Música Popular e Texto, e era tudo de ótimo nível.

Neste ano em que concluí meu doutorado, saindo da USP após mais de uma década de estudos por lá (as graduações em Comunicação / Editoração e em Filosofia, e — depois de uma pausa de um ano — o doutorado em  Educação), essa menção honrosa foi um saboroso “presente de formatura”.

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