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Menção honrosa no Nascente 2014

1690252_584577338301062_1394335338_n-300x300Semana passada tive uma notícia bacana: recebi menção honrosa com as poesias que inscrevi no concurso Nascente. (Para não fugir tanto da temática do blog, publico-as aqui sob a mesma licença do site, CC BY-NC-SA; é um prazer compartilhá-las.)

O Programa Nascente é o principal concurso artístico da USP; nessa 22a. edição, recebeu 644 inscrições, e por volta de 400 delas na área de Texto. Embora a área conceda um único prêmio (neste ano foram excepcionalmente dois premiados), as inscrições nela se dividiam em seis categorias: biografia, crônica, ficção, reportagem, dramaturgia e poesia. Parabéns aos finalistas e premiados: vi os trabalhos de alguns concorrentes nas áreas de Design, Artes Visuais, Música Popular e Texto, e era tudo de ótimo nível.

Neste ano em que concluí meu doutorado, saindo da USP após mais de uma década de estudos por lá (as graduações em Comunicação / Editoração e em Filosofia, e — depois de uma pausa de um ano — o doutorado em  Educação), essa menção honrosa foi um saboroso “presente de formatura”.

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Artigo novo, Open Knowledge Conference 2011

Apresentei um artigo na Open Knowledge Conference de 2011 (OKCon2011), e ele já está disponível (aqui no blog, ou nos anais da conferência). É parte da minha pesquisa de doutorado: uma tentativa de sistematizar um pouco mais a visão do software livre como um bem comum, com base nas categorias da teoria de bens comuns (comunidade, fronteiras, governança, commoning etc.).

(Por curiosidade, foi também o primeiro artigo que redigi usando o LaTeX, um software livre de edição e diagramação de textos interessantíssimo, sobre o qual aprendi um pouco em um curso recente do PoliGNU.)

O aspecto mais interessante do evento para mim foi a possibilidade de aprender mais sobre open data, ou dados abertos (principalmente os governamentais, mas não só: a Open Knowledge Foundation, que promove essa conferência, também trabalha em projetos de “abertura” de dados bibliográficos, científicos e até corporativos). É uma proposta que tem suas limitações (concordo em grande parte com o que o Michael Gurstein escreveu sobre isso), mas que sem dúvida tem potencial de ampliar a participação cidadã e o exercício mais efetivo da democracia.

Alguns destaques do que eu vi por lá:

  • O Scraperwiki, uma ferramenta para simplificar (e promover a colaboração no) processo de “minerar” e disponibilizar dados que já estão em sites por aí, mas não de forma manipulável ou estruturada. Algum conhecimento de programação ajuda — mas mesmo eu, que não sei nada das linguagens que o Scraperwiki usa (Python, Ruby ou PHP), consegui fazer um exemplo básico em uma oficina de uma tarde: juntar os dados de postos de atendimento (que ficam escondidos lá no site da SPTrans), para depois exibi-los num mapa.
  • A palestra incrível do Brewster Kahle, fundador do Internet Archive — projeto com o borgiano objetivo de oferecer “acesso universal a todo o conhecimento do mundo”.
  • Apresentação de Björn Brembs sobre os absurdos do sistema atual de comunicação científica. Incluiu propostas para tentar melhorá-lo, e uma demonstração de que o famoso índice de fator de impacto da Thomson Reuter, capaz de definir carreiras acadêmicas mundo afora, é em grande medida negociado, não reproduzível, e sem sentido em termos estatísticos.
  • O debate entre Rufus Pollock (co-fundador da Open Knowledge Foundation) e Mayo Fuster Morrell (ligada ao Free Culture Forum), sobre as diferenças entre as definições de conhecimento aberto / cultura livre (e serviços web abertos / livres) dos dois grupos. É uma discussão que lembra um pouco a cisma dos movimentos open source / free software (o primeiro mais pragmático e pró-mercado, o segundo mais focado na questão da autonomia), mas com sua ramificações próprias: Rufus, por exemplo, defendeu que a transparência na governança é um valor menos importante do que a liberdade de reutilização dos dados (o que soa curioso e até algo contraditório com o discurso da OKF, que, como o movimento open source, centra-se no tema da “abertura” [openness], e não no da liberdade).
  • Oficina sobre dados bibliográficos abertos, uma iniciativa para tentar reduzir a dependência do meio acadêmico aos bancos de dados bibliográficos comerciais (que, além de serem fragmentados, custam quantias absurdas a nossas bibliotecas — muito embora sejam compostos literalmente da produção dos próprios acadêmicos, e quase nada além disso).
  • Apresentações dos colegas comuneiros / P2Peers: Christian Siefkes, Michel Bauwens e Stefan Meretz. As três fazem um esforço de visualizar possibilidades sociais alternativas com base em compartilhamento, e dialogam muito com a minha pesquisa atual.
  • Apresentações de iniciativas brasileiras ligadas a dados abertos governamentais, no Ipea e no município de São Paulo.
  • Visitas: ao c-base, um hackerspace (e nave espacial abandonada), e a Weltraum, comunidade ligada ao movimento transition towns. (Estes dois destaques não foram propriamente na OKCon — fomos convidados aos dois locais por pessoas ligadas a eles, sem relação direta com a conferência — mas foram bem interessantes e mereciam menção aqui.)

O site da conferência tem uma página reunindo documentação sobre o que rolou, de modo que vídeos sobre alguns desses destaques podem aparecer por lá nos próximos tempos (é bem provável que o de Brewster Kahle seja publicado, pois ocorreu na seção principal do evento).

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International Commons Conference

Atualização: algumas partes do evento serão transmitidas pela internet (a página é em alemão, mas praticamente todo o evento será em inglês). Veja a agenda das transmissões aqui.

Terei a sorte de participar de um encontro internacional sobre bens comuns, a International Commons Conference.

Bens comuns são coisas compartilhadas por comunidades. Eles não são sujeitos a direitos individuais exclusivos e absolutos, e portanto estão longe de ser propriedade privada; mas também não são propriedade pública, pois sua constituição e manutenção não é mediada exclusivamente pelo Estado, mas pela própria comunidade. (A linguagem jurídica da propriedade, no entanto, provavelmente não é suficiente para fazer jus à diversidade de aspectos sociais, culturais e políticos que caracterizam as práticas de compartilhamento.)

Ontem e hoje, os bens comuns têm sido focos de solidariedade e de resistência à privatização, à mercantilização, à espoliação e ao autoritarismo. Se no passado eles centraram-se no compartilhamento de recursos materiais (como foi o caso das terras compartilhadas por povos da floresta, faxinaleiros e servos medievais), hoje novos bens comuns — como o software e a cultura livres — surgem a partir de bens culturais e imateriais; isso se deve tanto à tendência de privatização da cultura e do conhecimento, como às transformações tecnológicas que permitem que hoje eles sejam facilmente reproduzidos.

O contexto das grandes metrópoles também cria novas tensões e movimentos que reivindicam bens comuns — como se vê no caso de movimentos por moradia em São Paulo, ou por jardins comunitários em Los Angeles e Nova York. Da mesma forma, os processos de descolonização e os “ajustes estruturais” sofridos pelos países pobres também levam a novas formas de resistência que envolvem ou defendem o compartilhamento.

Assim, o campo dos bens comuns articula hoje lutas muito diversas, como, entre outras: a luta pela coletivização da posse da terra; contra o patenteamento da vida (como ocorre com os transgênicos), e contra o avanço da “propriedade intelectual”; pela defesa do software, da cultura e do conhecimento livres; pelo uso coletivo e não mercantilizado dos espaços das cidades; pelo tratamento da natureza como uma herança comum.

A proposta (assumidamente ambiciosa) desse evento a ser realizado em Berlim é tentar encontrar pontes entre essas diversas temáticas, para começar a constituir uma plataforma política baseada nos bens comuns. Para saber um pouco mais sobre o evento, recomendo a entrevista que Silke Helfrich (uma das organizadoras da conferência) concedeu a Richard Poynder, um ótimo divulgador destes temas [o José Murilo fez uma tradução da entrevista]. Após o evento também colocarei aqui as minhas impressões.

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Homenagem a Imre Simon

Ontem ocorreu a cerimônia de outorga do título de professor emérito ao Imre Simon; foi bastante emocionante.

Surpreendeu-me descobrir que a defesa que ele fazia do conhecimento livre e da produção colaborativa talvez tenha sido influenciada pelo período em que ele teve cargos administrativos na USP, época em que coordenou a implantação da rede de internet em praticamente todos os prédios. É que, até então, o uso da internet (e de computadores também, em certa medida) na USP era bastante centralizado e restrito; o Imre ajudou a inverter esse quadro.

Só não sei se isso foi o ovo ou a galinha (isto é, se foi fruto de uma crença anterior na importância do acesso ao conhecimento, ou se foi justamente esse processo que formou tal crença nele). Ou se as coisas andaram juntas. Talvez tenha sido a galinha: segundo o Arnaldo, que fez mais um belo discurso ontem, para quem sempre fez ciência livre, como o Imre, software livre (e, acrescento, o conhecimento livre) era nada mais que uma extensão natural dessa prática.

Segue abaixo o texto que escrevi sobre o Imre, a convite de colegas seus. (Atualização: já está disponível a coletânea com todos os discursos e homenagens.)

Tomo emprestada, para esta pequena homenagem, uma ideia que o Arnaldo Mandel mencionou no dia do enterro de Imre, e que me parece muito adequada para descrevê-lo: Imre não era só um grande cientista; ele era um grande líder. Não um líder naquele sentido individualista e competitivo, que com alguma frequência ouvimos hoje em dia, mas um líder agregador. Suspeito que Imre ― conhecedor que era do mundo da colaboração na internet (do software livre, da Wikipédia, do Acesso Aberto), que ele tanto admirou e defendeu ― sabia que, ao fim, o esforço coletivo transcende o esforço individual; mas que, para que isso aconteça, é necessário o exemplo desse líder agregador, que conecta pessoas e inspira suas ações. Talvez por isso ele tenha sido fonte de motivação para tantos de nós ― diferentes e diversos, como somos, que nos reunimos em torno dele, vendo nesse homem um espírito semelhante.

Eu aprendi muito com Imre Simon. Sempre me impressionei pela maneira generosa como ele me tratou; conversava comigo de igual para igual, a despeito das nossas diferenças de idade, de experiência ― e até, em alguns casos, de opinião. Nessas ocasiões, ele assumia a postura que, para mim, é a de um grande acadêmico: ouvia (coisa tão simples, mas tão rara…), expunha suas ideias, e convidava o interlocutor a pô-las na mesa, misturá-las, contrapô-las, e a analisar o que resultava. Uma pessoa de muito conhecimento, mas que não tinha medo de experimentar ou pôr suas crenças à prova.

Apesar da tristeza de não tê-lo mais por aqui, posso dizer ― como muitos outros, não tenho dúvida ― que o seu legado é e continuará sendo muito presente em minha vida. Cada uma das coisas que escrevi, desde que trabalhamos juntos, deve algo ao que ele me ensinou nesse período; à generosidade e abertura intelectual que ele transpirava. Um bom exemplo dessa abertura reside em uma das recomendações de leituras que ele fez a mim: ele, cientista da computação, convenceu a mim, comunicador, a ler certo livro de uma cientista política; indicação que motivou o meu mestrado na filosofia da educação. Acho que ele ficou feliz ao saber disso; e acho que, se estivesse vivo, também teria ficado feliz ao saber que esse mesmo livro rendeu à sua autora, Elinor Ostrom, o Prêmio Nobel em… Economia.

Espero que sejamos capazes de continuar criando e compartilhando coisas novas e inesperadas a partir desse legado, como imagino que ele gostaria que ocorresse.

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Evento: Acta Media 6

De 3 a 6 de junho, no SESC Pinheiros (São Paulo), ocorrerá a sexta edição do Acta Media — Simpósio Internacional de Artemídia e Cultura Digital. O tema desta edição será “Autoria e textualidade na era digital”. (As oficinas preparatórias ao evento já estão ocorrendo, e outras atividades continuarão após o simpósio, até 19 de junho.)

Semion, o smbolo proposto por MatuckOs simpósios Acta Media são organizados pelo Artur Matuck, um professor, artista e pioneiro da cultura livre. A partir da sua experiência com a arte utilizando xerox, ele propôs o Semion, um símbolo para indicar “informação liberada” — quando as licenças GFDL (1999) e CreativeCommons (2001) ainda não estavam nem em fraldas. (O Semion foi proposto formalmente em 1993, mas se não me engano o Matuck já trabalhava com o conceito havia bastante tempo.)

O simpósio terá como foco principal a questão da autoria, mas os direitos autorais também serão abordados. Entre outros, contará com a participação de Guilherme Carboni (já mencionado neste blog a respeito de uma proposta de modificação da lei de direitos autorais), Yann Moulier-Boutang (fundador do periódico Multitudes, abordará o tema do capitalismo cognitivo) e Volker Grassmuck. As atividades serão desenvolvidas tanto presencialmente como via internet, pelo Colaboratório, uma proposta nova desta edição. (Há um texto sobre a proposta aqui; o Colaboratório propriamente dito funciona aqui.)

  • O quê: Acta Media 6
  • Tema: Autoria e textualidade na era digital
  • Onde: Sesc Pinheiros (r. Paes Leme, 195)
  • Quando: 3-6 de junho de 2008 (com atividades posteriores até 19 de junho)
  • Mais informações: veja o site do evento

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Festa de lançamento: Cultura e Conhecimento Livres

filipeta_festa_lancamento_CCL Nesta 6a. haverá uma festa de lançamento para o projeto Cultura e conhecimento livres: Disputas, práticas e idéias.

A festa promete ser muito boa, com direito a som, poesia, video e performances de primeiro calibre. De graça, com comes e bebes. Todos são bem-vindos!

O projeto Cultura e conhecimento livres tem como curadora Maria Elisa Cevasco, e como curadores associados Alessandro Buzzo, José Correa Leite Júnior e Roberto Schwarz. Seu propósito é abordar alternativas para as dinâmicas culturais, cruzando as perspectivas da cultura periférica e do pensamento crítico sobre a propriedade intelectual. Um trecho do material de divulgação:

A cultura é propriedade da humanidade. Cada um que cria, recria, define, pensa e constrói está produzindo cultura. A arte nasce desse ponto. O conhecimento também. E quando negam o seu acesso a cultura? E quando negam não somente o seu acesso, mas também negam o seu direito de produzir cultura? O que você faz?

Foi pensando em tentar responder essas questões e ainda formular outras novas, que a parceria entre o coletivo Epidemia e a Ação Educativa elaborou o ciclo de debate Conhecimento e cultura livres: Disputas, práticas e idéias. Os seminários acontecem na periferia de São Paulo e em Fortaleza. Trata-se de um projeto que foi feito por aqueles que pensam a cultura e aqueles que fazem a cultura. E mais, esse ciclo de debates deve ajudar aqueles que fazem arte e cultura a pensar a arte e a cultura, e aqueles que pensam, a exercitá-la.

  • O quê: festa de lançamento — projeto Cultura e conhecimento livres: Disputas, práticas e idéias
  • Onde: Ação Educativa — r. General Jardim 660, Vila Buarque (próximo ao metrô Sta. Cecília).
  • Quando: 21 de setembro de 2007, 19h-23h30

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Festa: lançamento do jornal Epidemia

Neste sábado, no Bar B, vai rolar a festa de lançamento do jornal Epidemia. Todos estão convidados.

clique para ampliar (filipeta)

O Epidemia é um pequeno jornal dirigido principalmente ao público universitário, e que fala sobre questões variadas de propriedade intelectual, tais como: software livre, cópias de livros, compartilhamento de arquivos pela internet, patentes de remédios e de sementes. A idéia é oferecer um contraponto ao discurso mais corrente na mídia, que repete “pirataria” (quando quer dizer “cópia não autorizada”) e “quebra de patente” (quando quer dizer “licenciamento compulsório”) como palavras de ordem, e sustenta como uma lei natural a idéia de que “mais propriedade intelectual = mais desenvolvimento” (sem revelar que praticamente não há estudos empíricos que apóiem essa tese).

Recentemente comecei a participar do grupo que bolou esse jornal. É um grupo diverso (estudantes e professores universitários, economistas, artistas, programadores), que, embora tenha uma orientação geral de esquerda, não é vinculado a nenhum partido. Além de publicar esse jornal, os objetivos práticos são publicar um livro com textos mais aprofundados sobre o assunto (que já está em andamento); e, a médio prazo, fomentar um movimento social em defesa do conhecimento e da cultura livres, por meio do diálogo entre as várias iniciativas já existentes. (Por isso a idéia de juntar temas aparentemente díspares, como sementes e software.)

A festa será uma oportunidade para trocar idéias, conhecer o jornal e o grupo; quem quiser poderá pegar exemplares para distribuir em faculdades ou outros lugares. O ingresso para a festa custará R$5, que serão apenas para custeá-la: esta primeira edição do jornal está sendo paga inteiramente com contribuições voluntárias dos membros do grupo.

A festa deve contar com um grupo de samba de raiz, DJ, projeções de vídeo, poesia e performances. (Há uma companhia de teatro participando do grupo; deve vir coisa fina.)

  • O quê: festa de lançamento do jornal Epidemia
  • Onde: Bar B (R. General Jardim, 43; metrô República)
  • Quando: 19 de maio de 2007, a partir das 21h
  • Quanto: R$5

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