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Apresentação no “Seminário das Quartas”

[Atualização: deixo aqui as notas esquemáticas da apresentação: em formato PDF ou ODT.]

Farei uma apresentação no “Seminário das Quartas”, organizado pelo Paulo Arantes. Será sobre o tema da minha pesquisa (bens comuns intelectuais e mercantilização); nesta quarta-feira, 30/3/11, na USP, prédio de Filosofia e Ciências Sociais, sala 103, às 19h30.

O seminário é aberto a todos. Segue abaixo um parágrafo sobre o tema, mais algumas indicações de textos:

A apresentação será sobre o tema da minha pesquisa de doutorado (que começou como mestrado, e recentemente virou doutorado direto): bens comuns intelectuais e mercantilização. Uma definição concisa possível para bens comuns é a seguinte: o compartilhamento de coisas por uma comunidade. Em minha pesquisa, parto de uma análise crítica da principal vertente de estudo sobre bens comuns, a neoinstitucional, que tem como figura chave Elinor Ostrom; e da aplicação da ideia de bens comuns a coisas imateriais (como bens culturais, software etc.). Discuto também de que maneira o conceito de bens comuns pode se opor à mercantilização, e como essa oposição pode ser mais ou menos significativa de acordo com a perspectiva teórica adotada. A parte final da pesquisa, que ainda está menos desenvolvida, é a análise dos “novos modelos de negócio” envolvendo bens imateriais que têm sido propostos recentemente (como a publicidade, o branding e a venda de serviços). Essa análise visa identificar até que ponto esses “novos modelos de negócio” podem implicar o surgimento da mercantilização no interior dos próprios bens comuns.

Seguem alguns textos que podem servir de subsídio para a apresentação. Tentei selecionar textos curtos que apresentem diferentes perspectivas sobre o tema — minhas desculpas antecipadas por alguns deles não serem em português.

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“A informação disponível como pressuposto tácito da recuperação na ciência da informação moderna” [artigo em periódico]

VIEIRA, Miguel Said. “A informação disponível como pressuposto tácito da recuperação na ciência da informação moderna”. Liinc em Revista, n. 6, v. 2 (2010). Disponível em: <http://ssrn.com/abstract=2771367>.

Artigo publicado em número temático (“Linguagem, informação e novas dinâmicas sociais contemporâneas”) do periódico Liinc em Revista. Comecei a desenvolver a ideia para esse artigo no trabalho final de uma disciplina da pós-graduação em Ciência da Informação da ECA/USP.

Resumo

Identifica como objetivo da ciência da informação — a partir de BUSH — sanar a explosão informacional por meio da recuperação da informação disponível; argumenta que o campo, embora venha problematizando a significação dessa informação, ainda coloca pouca ênfase nos processos (exemplificados pela propriedade intelectual) que predeterminam as informações disponíveis em um sistema. Sugere que a concepção de ecologia informacional (SARACEVIC) pode ser relevante para recolocar a questão do acesso ao conhecimento, mas com ressalvas; e que nesse sentido o ambientalismo informacional (BOYLE) e os estudos sobre bens comuns intelectuais são caminhos importantes para estudo.

Abstract

The article identifies as an objective of information science – since BUSH – to remedy the informational explosion through the retrieval of available information; argues that although the field has been questioning the meaningfulness of this information, it still places little emphasis on the processes (such as intellectual property) that predetermine the information available in a system. It suggests that the conception of informational ecology (SARACEVIC) can be relevant to restate the issue of access to knowledge, but with reservations; and that, in that sense, informational environmentalism (BOYLE) and studies on intellectual commons are important research pathways.

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“Bens comuns intelectuais e bens comuns globais: uma breve revisão crítica” [artigo em evento]

VIEIRA, Miguel Said. “Bens comuns intelectuais e bens comuns globais: uma breve revisão crítica“. Anales de las VIII Jornadas de Estudios Sociales de la Ciencia y la Tecnología. Buenos Aires: 2010. Disponível em: <http://ssrn.com/abstract=2619390>.

Comunicação apresentada na oitava edição do ESOCITE, importante evento no campo latino-americano de estudos da ciência e tecnologia (também disponível nos anais do congresso). Clique aqui para formato ODF.

Veja também os slides da apresentação, em espanhol (clique aqui para formato ODF).

Resumo

Este trabalho trata de bens comuns (simplificando, coisas compartilhadas por uma comunidade); mais especificamente, avalia se bens comuns intelectuais podem ser considerados bens comuns globais, e quais as implicações dessa relação para as pesquisas sobre bens comuns. Para tanto, analisa criticamente alguns aspectos da teoria de bens comuns ligada à escola neoinstitucional, focando-se nos trabalhos de Elinor Ostrom. Considera que a transposição dessa teoria para bens comuns globais (proposta por Susan Buck, por exemplo) enfrenta dificuldades relacionadas ao caráter universal desses bens, e à definição das fronteiras de um bem comum global. Distingue bens comuns intelectuais, e, avaliando brevemente bens comuns intelectuais baseados em licenças livres, considera que o avanço da digitalização e das TICs permitem que tais projetos sejam bens comuns globais; além disso, considera que a definição de suas fronteiras ― feita de maneira mais intensiva que extensiva (isto é, não sabemos os contornos exatos dessas fronteiras, mas sabemos claramente a regra que os conforma) ― oferece uma solução interessante para o problema das fronteiras em bens comuns globais.

Abstract

This paper is about commons (to simplify, things shared by a community); more specifically, it ponders whether intellectual commons can be considered global commons, and what are the implications of that for commons research. To that end, it offers a critical analysis of some aspects of the commons theory developed by the new institutional school, focusing on Elinor Ostrom’s works. It observes that the transposition of this theory to global commons (proposed by Susan Buck, among others) faces difficulties related to the universal character of these goods, and to the definition of a global commons’ boundaries. It distinguishes intellectual commons, and, cursorily examining free licenses-based intellectual commons, comments that the advance of digitization and information technology allow such projects to become global commons; besides, it observes that the definition of such commons’ boundaries – made in a intensive rather than extensive manner (i.e., not knowing the exact outline of these boundaries, but clearly understanding the rules that give them shape) – offers an interesting solution to the issue of boundaries in global commons

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“Biens communs globales, biens communs de la connaissance et solidarité internationale” [intervenção em debate]

VIEIRA, Miguel Said. “Biens communs globales, biens communs de la connaissance et solidarité internationale” [Bens comuns globais, bens comuns do conhecimento e solidariedade internacional]. Université d’été de la solidarité internationale, 2010, Pessac. Disponível em <http://ssrn.com/abstract=2592732>.

Em francês. [Versão revisada; agradeço a Frédéric Sultan, que fez leitura atenta e diversas sugestões.]

Intervenção realizada, a convite, no ateliê sobre “Bens comuns do conhecimento” (organizado por Vecam, Petits Débrouillards, ATTAC França, Creative Commons França e Survie), durante a Université d’Été de la Solidarité Internationale, edição de 2010. Clique aqui para formato ODF.

Resumo

Compara bens comuns baseados em bens materiais, de alcance local, e bens comuns do conhecimento, transnacionais — como o software livre e, em certo sentido, a internet; e discute se é mais fácil gerir bens comuns do conhecimento como bens comuns de acesso aberto, e de que maneira a escala afeta essa avaliação. Argumenta que é possível avançarmos rumo a bens comuns do conhecimento globais e de acesso aberto (embora algum grau de “cerceamento” seja útil para manter um bem comum); e que o principal obstáculo a isso permanece sendo a desigualdade socioeconômica. Propõe que os movimentos de solidariedade internacional visem a expansão das comunidades potenciais de bens comuns do conhecimento existentes.

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“Bens comuns intelectuais: Dos que temos aos que queremos” [artigo em evento]

VIEIRA, Miguel Said. “Bens comuns intelectuais: Dos que temos aos que queremos“. Anais Hipertexto 2009. Belo Horizonte, 2009. Disponível em <http://ssrn.com/abstract=2581222>.

Trabalho apresentado no congresso Hipertexto 2009 (também conhecido como “III Encontro Nacional sobre Hipertexto”), em Belo Horizonte; também disponível em formato ODF, editável.

Vejam também os slides da apresentação (clique aqui para formato ODF).

Resumo

Este trabalho é uma reflexão sobre a importância, os obstáculos e as possíveis estratégias para propiciar acesso ao conhecimento por meio de bens comuns intelectuais. Apresenta brevemente o conceito de bens comuns intelectuais e afirma a relevância do seu uso, por fatores relacionados a: justiça social; contexto socioeconômico (neoliberalismo e mercantilização); a emergência de novos tipos de produção colaborativa. Identifica obstáculos à implementação de tais bens comuns e à eficácia deles para o acesso ao conhecimento (perpetuação de desigualdades ― econômicas, educacionais etc. ― no acesso aos bens comuns; bens comuns “predatórios”; permanência ou metamorfose da mercantilização). Conclui apontando algumas estratégias (ou características de bens comuns intelectuais) que possam fazer frente a esses obstáculos: copyleft, padrões abertos, localização, documentação, inclusão social, resistência à mercantilização.

Abstract

This work is a reflection on the importance, the obstacles to, and the possible strategies to provide access to knowledge through intellectual commons. It briefly introduces the concept of intellectual commons and affirms the relevance of their use, based on factors related to: social justice; socioeconomic context (neoliberalism and commodification); the emergence of new types of collaborative production. It identifies obstacles to the implementation of such commons, and to their effectiveness for access to knowledge (perpetuation of inequalities – economic, educational etc. – in the access to commons; “predatory” commons; commodification’s continuity or metamorphosis). It concludes pointing out some strategies (or intellectual commons’ characteristics) that can grapple with these obstacles: copyleft, open standards, localization, documentation, social inclusion, resistance to commodification.

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